Coronavírus pode infectar mais de uma vez? Quem já se curou não está protegido?

Novo coronavírus: perguntas e respostas — Foto: Guilherme Gomes/G1

Coronavírus pode infectar mais de uma vez? Quem já se curou não está protegido?

O novo coronavírus, ou  COVID-19, tem trazido muitas dúvidas para a comunidade científica, pois, sabe-se muito pouco sobre a doença. Uma das dúvidas mais presentes em discussões, é a possibilidade de reinfecção pelo vírus.

Um caso de reinfecção foi descoberto no Japão e alguns outros na China, mostrando que aqueles que já pegaram a doença, podem contraí-la novamente.

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No Japão, uma paciente de Osaka, depois de se recuperar da infecção e receber alta do hospital, foi novamente testada como positiva para a doença. O que levantou a dúvida: seria esse um vírus impossível de se criar anticorpos?

Os especialistas afirmam que é muito cedo para tirar conclusões. A maioria ainda acredita que os casos descobertos não são de pessoas que pegaram a doença novamente, e sim, de pessoas que não foram totalmente curadas, ainda possuindo o vírus em seus organismos.

A virologista da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova Iorque, relatou que: “Não estou dizendo que a reinfecção não possa ocorrer, nem que nunca ocorrerá, mas nesse curto espaço de tempo é improvável”.

Ela ainda afirma que, quando a infecção é curada, nosso corpo desenvolve uma alta imunidade a ela, por um curto prazo de tempo. O que protege aqueles que foram tratados e liberados do hospital.

Nos casos em que pacientes curados voltaram a manifestar a doença, Krammer explica que, provavelmente, eles possuíam baixos níveis do vírus em seu organismo. Esses vírus estariam enfraquecidos e em pouca quantidade, não permitindo que fossem detectados pelos testes. No entanto, após o paciente sair do hospital, o vírus pode voltar a se fortalecer e multiplicar, fazendo a doença voltar com força.

Segundo Marc Lipsitch, epidemiologista da Harvard TH Chan School of Public Health, é possível que o COVID-2019 seja como uma infecção bifásica. Isso quer dizer que ele é um vírus capaz de persistir no organismo, mesmo sendo tratado, e causar sintomas diferentes do seu primeiro ataque, quando volta a afetar o paciente.

Um exemplo é o vírus da ebola, que pode ficar durante meses nos testículos ou nos olhos das pessoas já recuperadas. A pessoa curada, por continuar a carregar o vírus, pode transmiti-lo a outros, assim como desenvolver outros sintomas que não apareceram anteriormente na primeira infecção.

Angela Rasmussen, virologista da Columbia University, disse que ainda não é possível afirmar que esse seja o caso do coronavírus. Pois, ele é semelhante ao vírus do SARS, que não possui relatos de reinfecções, de acordo com o Dr. Stanley Perlman, especialista em coronavírus da Iowa University.

Outro problema, que pode ter ocorrido com a paciente japonesa, é um teste falso-positivo. Apesar dos testes para detectar o coronavírus serem de alta qualidade, eles não estão isentos de falhas. Portanto, caso o vírus esteja muito enfraquecido e em pouca quantidade, ele pode não ser detectado, dando um falso-positivo no teste.

De qualquer forma, a questão da imunidade em relação ao coronavírus se torna ainda mais importante, com essas descobertas. Pois, afetará diretamente o desenvolvimento de uma vacina, assim como as medidas de quarentena e a segurança da população saudável.

Além disso, é necessário entender completamente o vírus, para que ele não se torne uma ameaça sazonal, como a gripe.

Fonte:

https://canaltech.com.br/saude/coronavirus-e-possivel-pegar-covid-19-duas-vezes-161295/