Tóquio pode realmente realizar uma Olimpíada?

Tóquio pode realmente realizar uma Olimpíada?

A realização das adiadas Olimpíada e Paralimpíada de Tóquio está programada para daqui a seis meses. Apesar de autoridades insistirem no prosseguimento do plano, um aumento nos casos de coronavírus na capital está levando muitos a questionar se elas podem ou devem realizar os Jogos.

Antes do surto do coronavírus, os organizadores vendiam milhões de ingressos para eventos, e a capital se preparava para receber espectadores de todas as partes do mundo. O chefe do comitê organizador, Mori Yoshiro, disse em 12 de janeiro que continuava comprometido com a realização dos Jogos neste verão.

Mas o número de casos de Covid-19 tem aumentado desde dezembro e Tóquio já estava em estado de emergência quando ele fez essa promessa. Uma das medidas instituídas pelo governo é a proibição de entrada de todos os estrangeiros, em princípio.

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Uma pesquisa de opinião conduzida pela NHK no início de janeiro mostra que há pouco apoio para prosseguir com os Jogos. Apenas 16% dos entrevistados consideraram ser uma boa ideia. Quase 80% afirmaram que os eventos deveriam ser cancelados ou adiados novamente.

Wada Koji, professor da Universidade Internacional de Saúde e Bem-Estar Social e especialista em saúde pública, acredita ser possível realizar os Jogos. Ele diz que há possibilidade de Tóquio colocar Covid-19 sob controle em um ou dois meses, mas mesmo assim, a realização de uma Olimpíada de verão não será fácil.

Wada diz que os organizadores precisam considerar os riscos relativos de contágio em diferentes esportes, dependendo da frequência de contato físico em uma modalidade. Ele diz que os esportes como golfe e tênis podem ser disputados sem muitos problemas, mas aqueles de alto contato, como luta livre e judô, apresentam um risco muito maior de transmissão.

Uma questão ainda mais desafiadora é se os Jogos podem ter a presença de espectadores. O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, diz que deve ser possível ter um “número razoável de espectadores”.

Os líderes empresariais japoneses também querem que eles venham ao país. Em 2018, o número de pessoas que visitaram o Japão ultrapassou 30 milhões pela primeira vez. De acordo com uma pesquisa realizada em 2019 pela Agência de Turismo do Japão, os viajantes gastaram mais de 4 trilhões de ienes, ou quase 40 bilhões de dólares, e contribuíram para a economia em todo o país. Mas a pandemia fez com que esses números despencassem.

Kyla Gardner, que mora em Melbourne, é uma das muitas pessoas que estavam ansiosas para assistir aos Jogos. Ela diz que ela e seu parceiro gastaram 3 mil dólares em ingressos para vários eventos, mas agora estão se perguntando se realmente querem ir.

“Se fosse totalmente seguro, eu gostaria de ir porque seria a viagem da minha vida”, diz ela. “Mas sabemos como os surtos podem começar rapidamente. Por isso, eu não gostaria de ir se houver risco.”

Os organizadores divulgaram, em dezembro, um plano provisório de medidas para lidar com o coronavírus. Segundo o relatório, as autoridades estavam considerando alternativas ao atual período de quarentena de 14 dias para estrangeiros, como testes rigorosos e aplicativo de rastreamento.

Wada diz que pode ser extremamente alto o risco de surto se permitir a presença de espectadores, principalmente após a descoberta de novas variantes do vírus, supostamente mais contagiosas.

“Será difícil monitorar os espectadores quando eles estiverem no Japão”, diz ele. “Eles poderão visitar qualquer lugar que desejarem e, se ficarem doentes, poderá haver dificuldade em ter acesso a cuidados médicos”.

Ele diz que mesmo se a situação dos casos de infecção pelo coronavírus melhorar, o Japão ainda precisará de um sistema eficaz para monitorar os visitantes.

Os organizadores dizem que vão lançar um plano revisado para os espectadores até por volta do segundo trimestre deste ano. Mas o número cada vez maior de infectados e o apoio público em queda podem vir a ser obstáculos intransponíveis para realização dos Jogos.

Fonte: NHK